segunda-feira, 20 de março de 2017

Com releitura de clássicos, Disney entra no seu modo 'on fire' nas bilheterias


No jargão do basquete, o termo 'on fire' é utilizado para identificar o jogador que está com o faro apurado, o atleta responsável por marcar um elevado número de cestas em sequência. Seguindo este paralelo esportivo, hoje, quando o assunto é a arrecadação, podemos dizer que a Disney está no seu modo 'on fire'. Responsável pelos cinco filmes de maior bilheterias em 2016, são eles Capitão América: Guerra Civil (US$ 1,15 bi), Star Wars: Rogue One (US$ 1,05 bi), Procurando Dory (US$ 1,028 bi), Zootopia (US$ 1,023 bi) e Mogli: O Menino Lobo (US$ 966 mi)o estúdio parece ter encontrado uma nova fonte de lucros para o seu "arsenal" de blockbusters. Após estabelecer o rentável Universo Vingadores e resgatar o icônico selo Star Wars, a Disney se reinventou ao propor uma releitura dos seus maiores clássicos, revitalizando algumas das suas animações ao adapta-las no formato 'live action'. Uma aposta de considerável risco, principalmente quando o fator nostalgia está em jogo, mas que tem se confirmado nas bilheterias. Como podemos perceber com a estrondosa estreia de A Bela e a Fera, a mais nova aposta da Walt Disney Studios. Dirigido por Bill Condon (Dreamgirls), o longa faturou expressivos US$ 174 milhões no seu primeiro final de semana em cartaz nos EUA, superando os números iniciais de produções do porte de Batman V Superman: A Origem da Justiça, Rogue One e Animais Fantásticos. Além disso, a refilmagem se tornou também a maior abertura dentro desta leva de adaptações, atestando a ascensão deste recém-criado segmento e a força dos personagens Disney.


Hoje uma realidade, a nova safra de adaptações Disney começou a ganhar forma no fim da década passada, mais precisamente com o aventuresco Alice no País das Maravilhas (2010). Sob a batuta estilizada de Tim Burton, o longa estrelado pela então novata Mia Wasikowska mostrou o potencial das releituras em 'live action', principalmente quando o assunto é a construção de mundo e as novas possibilidades técnicas possibilitadas pelo advento do CGI. Realçando o aspecto mais exótico da obra de Lewis Carroll, o novo Alice faturou inesperados US$ 1,02 bi ao redor do mundo, apontando um caminho lucrativo para os executivos da Disney. Uma estrada que viria a ficar mais dourada com a estreia de Malévola (2014). Num projeto bem mais ousado, o diretor Robert Stromberg ficou com a missão de reinterpretar o clássico A Bela Adormecida, narrando a história da desfalecida princesa sob o ponto de vista da icônica Bruxa Má. Com a popular Angelina Jolie no papel principal, o filme apontou para um novo caminho ao realmente subverter a animação original, mostrando que as adaptações poderiam ganhar também uma voz própria. Numa proposta mais humana e universal, Malévola atingiu as expectativas ao faturar imponentes US$ 758 milhões mundialmente, se tornando a mola mestre para a continuidade desta crescente corrente de produções.


Indo de encontro a proposta autoral de Malévola, o remake de Cinderela (2015) encantou ao prestar uma requintada reverência ao original. Também impulsionado pelo êxito de Alice no País das Maravilhas, o longa dirigido pelo teatral Kenneth Branagh se preocupou em resgatar a aura mágica da animação, sem esquecer de atualizar o conto. Sob um prisma mais feminino e independente, o musical encontrou na promissora Lily James (Cinderela) e na talentosa Cate Blanchett (Madrasta) a energia necessária para assumir papéis tão icônicos. Além disso, Branagh exibiu o seu reconhecido virtuosismo estético ao compor as sequências mais icônicas, construindo uma obra à altura da beleza deste clássico Disney. Recebido amistosamente pela crítica, Cinderela se saiu bem nas bilheterias, faturou US$ 543 milhões ao redor do mundo e mostrou que a Disney já havia encontrado o domínio criativo sobre esta nova gama de produtos. O que ficou claro com o lançamento de Mogli: O Menino Lobo (2016). No trabalho mais ousado desta leva de adaptações, o estúdio superou as elevadas expectativas ao entregar uma obra tecnicamente primorosa, um filme inteligente e contextualizado sobre um garoto em busca do seu lugar no mundo. Com base numa das mais carismáticas animações da Disney, o longa dirigido por Jon Favreau equilibrou CGI e 'live action' com criatividade, um trabalho potencializado pelo expressivo desenho de produção e pela presença do magnético Neel Sethi. Aclamado por público e crítica, Mogli: O Menino Lobo faturou US$ 966 milhões nas bilheterias, superando as cifras conquistadas por títulos do porte de Batman V Superman, Animais Fantásticos, Deadpool, Esquadrão Suicida e X-Men: Apocalipse.


No vácuo de Mogli, o excelente Meu Amigo, O Dragão foi talvez o primeiro filme desta nova leva de adaptações a não conquistar o grande público. Infelizmente. Numa mistura de 'live-action' com CGI, o longa dirigido por David Lowery surpreendeu ao dar uma abordagem intimista para um musical setentista, criando uma obra sólida, silenciosa e positivamente aventureira. O filme, porém, não ganhou uma campanha de marketing tão abrangente, foi "engolido" por outros blockbusters  e passou "quase" despercebido pelos cinemas. Ainda assim, Meu Amigo, O Dragão somou US$ 143 milhões ao redor do mundo, superando sem grandes problemas os US$ 65 milhões de orçamento. Um pequeno "tropeço" que não deve reduzir o "status" deste recém-criado segmento, principalmente quando nos deparamos com os avassaladores números iniciais de A Bela e a Fera. Com a engajada Emma Watson no papel de protagonista, o longa presta uma singela homenagem ao clássico de 1991, encantando não só pelo seu tom reverencial e pelo visual requintado, mas também pela vocação bem humorada, pelos afinado elenco e pela maneira com que explora a humana conexão entre os personagens. Apesar da ridícula polêmica em torno da orientação sexual do gordinho LeFou, a mais nova adaptação em 'live action' da Disney já faturou US$ 907 milhões* ao redor do mundo, dando o retorno que os executivos esperavam para seguir investindo num segmento que só tende a ser mais explorado nos próximos anos. Nada mal para um estúdio que, além das suas produções originais, já têm "sob as suas asas" as animações da Pixar, o vasto Universo Marvel e a revigorada marca Star Wars.

*Números Atualizados no dia 06\04. 

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