segunda-feira, 3 de abril de 2017

Finalmente! Com o triunfo de A Bela e a Fera, Emma Watson emplaca o seu primeiro sucesso de público na fase pós-Harry Potter


Estrela da aclamada franquia Harry Potter, a engajada Emma Watson se tornou popular em Hollywood ao interpretar a astuta Hermione. Com o término da franquia inspirada na série de livros da escritora J.K Rowling, entretanto, a atriz teve que enfrentar as consequências de se conectar tanto a uma mesma personagem, precisando atestar o seu talento ao encarar papéis mais adultos. Dona de um carisma natural, Watson não demorou muito para emplacar a sua primeira grande atuação fora do universo bruxo, a revigorante Sam de As Vantagens de Ser Invisível (2012). O seu primeiro blockbuster, porém, demorou mais que o esperado. Após alguns filmes menores e pelo menos um enorme fracasso de público, a jovem fez as pazes com as bilheterias com a estrondosa adaptação de A Bela e a Fera. Numa opção ousada, ela não titubeou ao receber a oportunidade de viver uma das mais queridas princesas Disney, se tornando um dos muitos trunfos da versão em ‘live-action’ dirigida por Bill Condon. Em pouco mais de vinte dias, o longa faturou expressivos US$ 910 milhões ao redor do mundo, um valor que chegou a US$ 1,25 bi* nos meses seguinte, se tornando o tão aguardado primeiro sucesso de público de Emma Watson na sua fase pós-Harry Potter.


A sua trajetória de volta ao topo, no entanto, não foi tão bem sucedida assim. Após interpretar a bruxa Hermione em Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (2011), Emma Watson se viu obrigada a remodelar a sua imagem agora como adulta. Longe da franquia infanto-juvenil, ela “estreou” no elogiado Sete Dias com Marilyn (2011), ganhando um papel pequeno no filme estrelado pela talentosa Michelle Williams. O seu primeiro êxito "fora de Hogwarts" viria no ano seguinte com o excelente As Vantagens de Ser Invisível (2012). Embora não tenha sido um grande sucesso de público nos cinemas, o drama 'indie' bombou na internet e no mercado 'home-vídeo' ao narrar as desventuras amorosos de um problemático jovem (Logan Lerman) envolvido com um afetuoso casal de irmãos. Na pele da radiante Sam (foto acima), Emma Watson entregou a atuação da sua carreira ao se tornar a alma da película, encarando a independência, a humanidade e o charme da sua apaixonante personagem com enorme naturalidade. Um baita filme sobre os anseios da juventude atual.


Novamente reconhecida por público e crítica, Emma Watson foi a escolha perfeita para viver a "patricinha" dissimulada (foto acima) de Bling Ring: A Gangue de Hollywood. Sob a batuta da talentosa Sofia Coppola, o longa inspirado numa curiosa história real mostrou o lado mais fútil da geração atual, mas o resultado ficou aquém do esperado. Apesar da excelente interpretação da atriz francesa, impecável ao interpretar a líder de um grupo de jovens de classe média alta responsável por uma série de furtos , o interessante Bling Ring foi recebido de maneira morna por público e crítica, faturando pouco mais de US$ 5 mi em solo norte-americano. De volta aos blockbusters, Watson ganhou um importante papel no épico bíblico Noé (2014). Numa interpretação bem particular da parábola religiosa, o virtuoso Darren Aronofsky deu uma conotação evolucionista à adaptação, flertando com questões ambientais ao narrar a jornada de um homem devoto (Russell Crowe) que é escolhido por Deus para construir uma grande arca e sobreviver ao grande dilúvio. Na trama, a atriz interpretou Ila, uma jovem "impura" que é salva por um dos filhos de Noé. Pivô de uma das melhores sequências do longa, Watson cumpriu habilmente a sua função, mas o filme não fez o sucesso esperado. Com orçamento de US$ 125 milhões, o longa causou uma pequena polêmica junto aos mais intransigentes, culminando numa arrecadação "modesta", cerca de US$ 362 milhões ao redor do mundo.


Em busca de um sucesso para chamar de seu, Emma Watson se voltou para produções menores, mas o resultado foi decepcionante. Em Amor e Revolução (2015), a atriz interpretou uma jovem rebelde e apaixonada (foto acima) que foi obrigada a se separar do seu amor (Daniel Brühl) durante um golpe de Estado no Chile. Apesar da premissa interessante, o drama com uma pegada de suspense foi detonado pela crítica internacional e conseguiu ridículos US$ 15 mil em solo americano. O grande fracasso da sua carreira, entretanto, viria com o suspense Regressão (2015). Vendido com certa expectativa, o genérico suspense dirigido por Alejandro Amenábar foi recebido de maneira negativa pela mídia especializada, mesmo com a presença de nomes como os de Ethan Hawke, Emma Watson e David  Thewlis. Esnobado pelo público, o filme foi lançado em circuito reduzido e faturou irrisórios US$ 55 mil nos EUA. Uma queda de patamar inexplicável.


O status de Emma Watson, porém, seguiu inabalado. Mesmo cotada para o papel principal do aclamado La La Land, personagem que deu a Emma Stone o seu primeiro Oscar, a atriz francesa preferiu se dedicar exclusivamente a versão 'live-action' de A Bela e a Fera. Uma decisão que, num primeiro momento, pareceu duvidosa. Afinal de contas, como se não bastasse os perigos em torno da adaptação de uma animação tão cultuada, o musical dirigido por Damien Chazelle se tornou um estrondoso sucesso de público e crítica. Felizmente, Watson não teve o que reclamar. Elogiada pela sua interpretação como a independente Bela, a ex-estrela de Harry Potter se tornou um dos grandes trunfos desta versão, imprimindo um traço mais moderno a protagonista. Sob a batuta reverente de Bill Condon, o longa prezou pelo respeito ao material original, realçando o elemento nostálgico ao resgatar a aura mágica e ao reproduzir alguns dos momentos mais marcantes da animação.


Embora inserido dentro de um contexto mais atual, principalmente quando o assunto é o aspecto visual, A Bela e a Fera se tornou um dos primeiros grandes sucessos de público de 2017. Mais do que isso. Com o êxito do longa, Emma Watson conseguiu o seu tão esperado "grito de afirmação", o filme que ela precisava para restabelecer a confiança da indústria e seguir na lista das jovens atrizes mais populares de Hollywood. Até porque, fora dos sets de filmagem, ela segue engajada e atuante, atestando a sua forte personalidade ao sair em defesa de questões femininas ao defender a igualdade de gênero. Em 2014, inclusive, a Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres discursou na sede da Organização das Nações Unidas, se tornando uma das porta-vozes da campanha HerForShe. Uma postura independente que, verdade seja dita, tem sido bem rara em Hollywood, o que só justifica o sucesso e a confiança em torno desta talentosa atriz.

(*) Matéria atualizada no dia 22\06

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