sábado, 2 de novembro de 2013

Top 10 Halloween (Filmes que transformaram os Zumbis num fenômeno de público)


Durante os mais de cinco anos de Cinemaniac já fiz alguns outros interessantes Top 10 sobre filmes de terror, como a lista com apenas novos longas que se destacaram no gênero. Mas desta vez a responsabilidade é bem maior, até porque vou escrever sobre um dos meus personagens favoritos dentro do gênero: os zumbis. Na verdade, este Top 10 não será sobre os melhores filmes de Zumbis, mesmo porque já temos muitos espalhados pela rede. Na verdade, vamos listar os dez filmes que tornaram os Zumbis um dos maiores fenômenos pop da atualidade. Em ordem cronológica, vou tentar listar os dez longas que foram responsáveis pelo êxito comercial do gênero até o sucesso recente de Guerra Mundial Z, o primeiro filme de zumbi a faturar mais de 500 milhões de dólares, e o de The Walking Dead, uma das mais elogiadas séries do momento. E para começar esta lista vamos ao pai de tudo isso, o clássico...



10º A Noite dos Mortos Vivos (1968) - 7,9 IMDB

"George Romero é o grande pai dos zumbis e ponto final. Mas não foi ele que criou esse sub-gênero dentro do terror. Na verdade, os zumbis estrearam nos cinemas em 1932, com o longa White Zombie. Protagonizado por Bela Lugosi, um dos grandes nomes do cinema de terror, o clássico instituiu o nome Zumbi, mas numa atmosfera completamente diferente. Nesse momento, os zumbis não eram os tais "mortos-vivos" criados por Romero, mas sim pessoas pessoas enfeitiçadas por rituais vudu. Ao longo das décadas de 1940, 50 e 60, os Zumbis continuaram seguindo esta lógica do White Zombie, até que em 1968 apareceu o nova-iorquino George Romero. Com uma interessante crítica a sociedade norte-americana, Romero instituiu o tal "apocalipse zumbi" em um filme a frente do seu tempo. Ainda hoje, mais de 50 anos depois do lançamento, o longa A Noite dos Mortos Vivos segue atual, tenso, claustrofóbico. Escalando um protagonista negro, em plena década de 1960, Romero narra a história de um grupo de cinco sobreviventes que, após uma misteriosa epidemia zumbi, buscam refugio em uma grande casa. A Noite dos Mortos Vivos acabou sendo o primeiro de uma série de seis filmes dirigidos por George Romero e ganhou, inclusive, uma ótima adaptação dirigida por Tom Savini. Um marco para o cinema de terror, que representou o ponto de partida para o sucesso dentro do gênero." 


9º O Despertar dos Mortos  (1978) - 8,0 IMDB

"Se A Noite dos Mortos Vivos foi o grande ponto de partida para o sub-gênero zumbi, eu me arrisco a dizer que O Despertar dos Mortos é, ainda hoje, o filme responsável pela consolidação do gênero. Na minha humilde opinião, o melhor filme de Zumbi já realizado, Dawn of the Dead - no original - se tornou um grande marco na carreira de Romero. Seguindo a sua ácida crítica social, com interessante metáfora ao consumismo, o diretor amplia esse "apocalipse zumbi" chegando as grandes cidades. Com o apoio do diretor italiano Dario Argento, que acabou ficando responsável pela distribuição na Europa, o longa se passa 3 anos após "A Noite" e narra a história de um grupo de militares, que em em meio aos ataques zumbi, é escalado para tentar conter essa ameaça. As coisas não saem como esperado, e os sobreviventes dessa missão encontram refúgio em um shopping local. Ao escolher um shopping como cenário, George Romero deixa claro a sua estilosa crítica ao frenético consumismo, repleta de cenas marcantes. O filme foi um grande sucesso de público e crítica, faturou mais de 50 milhões de dólares nas bilheterias mundiais, e representou a aprovação do gênero junto ao grande público. Tanto que em 1985, Romero lançou o Dia dos Mortos, terceiro capítulo da saga dos Zumbis. Apesar de ser bem melhor do que muitos filmes do gênero, e de ter um maior apuro visual, Dia dos Mortos não seguiu o nível dos seus antecessores e acabou ficando marcado "apenas" pelo zumbi "evoluído" Bub (Sherman Howard). Talvez por esse fato, a franquia tenha ficado estagnada por mais de 30 anos. "


8º A Volta dos Mortos Vivos (1985) - 7,2 IMDB

"Também do ano de 1985, o gênero zumbi ganhou mais uma capítulo curioso para a sua consolidação. Trata-se do longa A Volta dos Mortos Vivos, dirigido por Dan O'Banon, sem qualquer ligação com os filmes de George Romero. Vale destacar, no entanto, que o filme teve a participação de John A. Russo, roteirista de A Noite dos Mortos Vivos e ex-parceiro de Romero. Por motivos pouco explicados, essa parceria entre Russo e Romero acabou ficando apenas no primeiro longa, e os dois seguiram caminho opostos. Então em 1977, Russo escreveu o livro A Volta dos Mortos Vivos, que acabou sendo adaptado por O'Banon. Diferente dos filmes de Romero, mais sérios e com interessante crítica social, a obra de Russo preza mais pela diversão e o bom humor, fato que foi mantido também nesse longa. Na verdade, enquanto os zumbis de Romero eram mais lentos, decrépitos e famintos, na versão de Russo eles tinham mais mobilidade, inteligência e a famosa paixão por cérebros. Podendo ser classificado como o então promissor gênero "terrir", mistura de terror com comédia, A Volta dos Mortos Vivos acabou representando a entrada do humor dentro desse sub-gênero. Como não lembrar da estética punk atribuída aos zumbis e da caracterização mais leve dos "mortos-vivos". Aqui, no entanto, essa mistura foi bem equilibrada, fato que não viria a se repetir mais a frente. A partir do êxito de A Volta dos Mortos Vivos, essa franquia ganhou mais quatro continuações, todas de gosto extremamente duvidoso. Na década de 1990, inclusive, era muito comum ver esses filmes passando a tarde - no finado Cinema em Casa do SBT - já que na época não existia grande preocupação com a classificação etária. No final da contas, A Volta dos Mortos Vivos se tornou a tal "faca de dois gumes". Por um lado abriu espaço para o humor dentro deste sub-gênero, fato que nos últimos anos vem sendo muito bem aproveitado, mas acabou também deixando a falsa impressão que esse era o único caminho a ser seguido. Os resultados seguintes foram filmes sofríveis, que afastaram o gênero dos grandes públicos naquele período."


7º Fome Animal (1992) - 7,5 IMDB

"Em função dos baixos custos e da estética trash que sempre acompanhou o gênero, os filmes de zumbi acabaram se tornando um prato cheio para os diretores estreantes. Seguindo essa estética do bom humor, o então novato diretor Peter Jackson - o mesmo da trilogia Senhor dos Anéis - apostou em um dos filmes de terror mais "gore" dentro deste gênero. Trata-se de Fome Animal, longa lançado em 1992, que acabou colocando o nome de Jackson no mercado mundial. Dentro dessa atmosfera bem humorada que abateu o gênero na década 90, Fome Animal é sem dúvidas um dos mais divertidos e interessantes. Utilizando mais de mil litros de sangue falso, o clássico acabou não sendo um sucesso de público, mas foi fundamental para uma nova aproximação dos fãs. Com uma trama bizarra e extremamente nojenta, Jackson narra a história de Lionel, um filho superprotegido que vê sua mãe virar um zumbi após ser atacada por um macaco rato da Sumatra. Sem entender muito bem a situação, Lionel acaba tratando como uma morte comum, mas logo descobre que sua mãe está mais viva do que nunca. Surtando com a situação e com as investidas da bela Paquita, Lionel tenta evitar o pior, mas a situação sai do controle quando seu interesseiro tio resolve dar uma festa na mansão de sua "finada" irmã. Com uma série de momentos clássicos, o bebê zumbi é uma das coisas mais surtadas já concebidas, Fome Animal é ainda hoje lembrado como um dos mais cultuados filmes do gênero. "


6º Resident Evil - O Hóspede Maldito (2002) - 6,6 IMDB

"Alguns fãs mais ardorosos do gênero vão me criticar, mas não podemos deixar de fora desta lista o fenômeno Resident Evil, e o enorme número de fãs adolescentes que ele trouxe para o sub-gênero zumbi. Lançada em 1996, a franquia de games Resident Evil, ou Biohazard no Japão, vendeu mais de 55 milhões de jogos em todo o mundo. Se inspirando diretamente no estilo "Romero" - os zumbis são lentos e morrem com tiro na cabeça - o game de terror logo ganhou uma adaptação cinematográfica, bem mais leve é verdade. Dirigida por Paul W.S Anderson, a franquia acabou colocando os zumbis - e sua fome incessável - em um universo diferente, bem mais voltado a ação do que ao terror. Com Milla Jovovich de protagonista, o longa segue a história dos games e coloca a organização Umbrella como a grande vilã por traz da epidemia zumbi. Na verdade, ao criar um vírus para uso militar, eles acabam dando vida aos mortos e, como todos sabemos, o processo de contensão acaba não sendo eficiente. Resident Evil fez um relativo sucesso, faturou mais de 100 milhões de dólares em todo o mundo e acabou abrindo espaço para o crescimento da franquia. Foram mais quatro filmes de sucesso - os cinco juntos faturaram cerca de 900 milhões de dólares - o que acabou trazendo uma nova geração de fãs e sendo fundamental para a volta dos zumbis as grandes telas."


5º Extermínio (2002) 7,6 IMDB

"Se comercialmente 2002 foi fundamental para esse sub-gênero, o ano também acabou ficando marcado por um filme que revolucionou o gênero. Dirigido pelo então promissor Danny Boyle, Extermínio foi o grande responsável pela volta do verdadeiro sub-gênero zumbi aos cinemas. Diferente de Resident Evil, que apelava muito mais para a ação, Extermínio voltou a ser um filme de terror. Na verdade, diferente dos zumbis de Romero, aqui as criaturas são rápidas e ferozes, um inimigo praticamente implacável. Essa, aliás, não era a única diferença. Em Extermínio os zumbis eram pessoas contaminadas com o vírus da raiva, através de macacos, portanto bastava qualquer contato com o sangue infectado para a expansão da epidemia. Logicamente o clima de tensão é absurdo, e o cuidado técnico é de chamar a atenção. Costumo dizer que Extermínio é um dos filmes mais bem produzidos do gênero, com direito a um então promissor elenco - Cilian Murphy (Sunshine: Alertar Solar), Naomie Harris (007 Skyfall), Christopher Eccleston (G.I Joe) e Brendan Gleeson - trilha sonora absurda e uma ótima trama. Extermínio narra a história de Jim (Cillian), um rapaz que se levanta do coma - só lembrando que a primeira edição de The Walking Dead foi lançada em 2003 - e descobre que Londres não é mais a mesma. Sem saber o que aconteceu ele parte em busca de explicações e acaba encontrando com Selena (Harris), uma sobrevivente que explica toda a situação. Juntos os dois partem na tentativa de encontrar um refúgio, mas acabam se tornando reféns de sádicos militares. Programado para ser uma trilogia, Extermínio ganhou uma igualmente ótima continuação em 2007, mas o capítulo final acabou emperrando. Existe ainda o sonho que o terceiro filme seja lançado, mas nesse momento o projeto segue estagnado."


4º  Madrugada dos Mortos (2004) 7,4 IMDB

"Dois anos após Extermínio, o então novato diretor Zack Snyder recebe uma ingrata missão: comandar o remake de Despertar dos Mortos, que como disse acima, é o melhor dos filmes de George Romero. Os produtores, no entanto, tentaram fazer um mix de tudo que deu certo até então. Pegaram os clássicos mortos-vivos de Romero e adicionaram a ferocidade dos zumbis de Doyle. O resultado é um filme marcante, um dos poucos remakes que atingiram o nível de seu original. Com o talento de Snyder, Madrugada dos Mortos acabou sendo um grande sucesso e faturou mais de 100 milhões de dólares em todo o mundo. O longa acabou representando esta nova consolidação do sub-gênero, que passou novamente a ser muito explorado ao longo desta década."


3º Todo mundo quase morto (2004) 8,0 IMDB

"Com a epidemia zumbi de volta aos cinemas, não iria demorar muito para que o humor voltasse a utilizar este sub-gênero. Tanto que ainda em 2004, o diretor inglês Edgar Writgh resolveu apostar em Todo Mundo Quase Morto, uma ótima sátira aos grandes filmes de zumbi. Apostando na dupla de comediantes Nick Frost e Simon Pegg, que embalados por este trabalho logo ganharam grande espaço em Hollywood, o longa narra a tentativa desses dois amigos de se salvarem em meio ao apocalipse zumbi em Londres. Apostando em ótimas piadas, o filme não se leva a sério em momento algum, e por isso se tornou um dos grandes destaques dentro deste sub-gênero. Shaun of the Dead, no original, faturou mais de 30 milhões de dólares em todo mundo, permitindo que a comédia pudesse novamente voltar a utilizar esse sub-gênero."


2º Terra dos Mortos (2005) 6,3 IMDB

"Embalado pelo sucesso da franquia Resident Evil, e de filmes como Extermínio e Todo Mundo quase Morto, eis que o pai de tudo isso retorna a ativa. Vinte anos após Dia dos Mortos, seu último filme dentro da franquia, George Romero volta a destilar sua crítica social em Terra dos Mortos, um dos mais interessantes e criativos filmes já realizados neste sub-gênero. Com mais de 20 milhões de dólares em mãos para realizar o filme, Romero resolveu ampliar um pouco seu projeto e o resultado acabou agradando. Apesar da censura 18 anos, o filme faturou mais de 50 milhões de dólares e abriu novamente espaço para o agora experiente diretor. Seguindo a sua linha narrativa, Terra dos Mortos Romero mostra que os humanos conseguiram resistir ao apocalipse zumbi, mas para isso tiveram que passar a viver em cidades isoladas por muros. Comandados pelo ganancioso Kaufman (Dennis Hopper), enquanto os mais ricos vivem em grandes prédios, os mais pobres tinham que viver nas ruas em meio a miséria. Eles não esperavam, no entanto, que os zumbis estavam começando a ganhar mais inteligência e poderiam romper, a qualquer momento, os limites das cidades. Para vocês terem uma noção desta ligação entre os filmes, George Romero ficou impressionado com o trabalho de Simon Pegg e Edgar Writgh em Todo Mundo Quase Morto, e por isso chamou o ator e o diretor para fazerem uma ponta em seu filme. Outra curiosidade no elenco é que a filha do seu ex-parceiro Dario Argento, Asia Argento, acabou protagonizando o filme ao lado de Simon Baker e John Leguizamo. Com o sucesso de Terra dos Mortos, George Romero ganhou a oportunidade de dar sequência a sua franquia e dirigiu ainda o bom Diário dos Mortos (2007) e o terrível Ilha dos Mortos (2009), os dois lançados direto em DVD."


1º Zumbilândia (2009) 7,7 IMDB

"E o último grande passo para que o sub-gênero zumbi chegasse ao topo em Hollywood não podia deixar de ser Zumbilândia, um "terrir" de grande qualidade que aproximou ainda mais os zumbis da cultura pop. Dirigido pro Ruben Fleischer, o longa reuniu um time de primeira linha, incluindo elenco, produção de arte, fotografia e roteiro. Apostando nos talentosos jovens Abigail Breslin, Emma Stone e Jesse Eisenberg, além da experiência de Woody Harlesson, o filme acabou reunindo tudo aquilo que os fãs do sub-gênero sempre gostaram: ação, diversão e mortos-vivos. Com uma direção de arte fantástica, tivemos mortos-vivos palhaços, nus, gordos, magros, velhos, enfim todos os tipos possíveis. Na trama, um jovem nerd cheio de regras se torna um dos únicos sobreviventes do apocalipse zumbi. Isolado em seu apartamento, ele se depara com uma sedenta zumbi ao tentar ajudar uma bela jovem. Agora fora de casa, ele passa a tentar sobreviver da melhor forma e para isso se une a um surtado homem e a duas espertas irmãs. Recheado de ótimas referências à cultura pop e de algumas marcantes participações especiais, o longa se transformou em um sucesso de público e crítica. Apesar da censura alta, é sempre bom lembrar disso, o filme foi um dos poucos a faturar mais de 100 milhões de dólares dentro do gênero e acabou se tornando a certeza de que séries como The Walking Dead e filmes como Guerra Mundial Z poderiam sair do papel. Vale destacar, no entanto, que ao longo desses anos tivemos também outros filmes importantes dentro do sub-gênero zumbi, que serão lembrados abaixo."

Menções Honrosas

E seguindo a ordem cronológica dos fatos,  começo lembrando de um filme europeu chamado Zombi 2, de 1978. Na verdade, apesar de ter o 2 como subtítulo, não se trata de uma continuação, mas sim de uma perspicaz estratégia de marketing. Como escrevi acima, após o sucesso de O Despertar dos Mortos nos EUA, o filme acabou sendo distribuído na Europa. A missão ficou sob a responsabilidade de Dario Argento, parceiro de Romero na realização deste trabalho. No entanto, por uma estratégia de marketing, o diretor italiano alterou algumas partes do filme e mudou o nome original, o chamando de Zombi. O longa fez grande sucesso e na carona dele, em 1979, o também italiano Lucio Fulci resolveu lançar Zombi 2. O mais curioso é que apesar das obras não terem qualquer ligação uma com a outra, essa falsa continuação fez muito sucesso. Diferente dos filmes que tentam se aproveitar de outros blockbusters, nos já fizemos aqui uma matéria especial sobre um estúdio especializado nisso, Zombi 2 era de ótima qualidade. A grande sacada, porém, ficou pela tentativa de se misturar os dois universos envolvendo os zumbis: o da origem desse sub-gênero, ligado ao misticismo e as práticas sobrenaturais, ao popularizado por Romero. O resultado é um filme extremamente tenso, muito bem produzido, que é considerado por muito um dos melhores já realizados. 

Da década de 1970 vamos para o início da década de 1990, quando o ator e diretor de maquiagem Tom Savini ficou com a missão de fazer um remake de A Noite dos Mortos Vivos. Com Tony Todd de protagonista, Savini conseguiu manter toda a estética do longa original, mas alterou alguns pontos interessantes, incluindo o desfecho. O diretor procurou dar mais espaço para as mulheres no filme e o trabalho acabou sendo muito elogiado, inclusive, pelo próprio Romero. Já no ano de 2006, mais uma brilhante comédia de terror acabou lançada. Trata-se de Fido, uma subversão dos filmes sobre os mascotes animais. Dirigido por Andrie Currie, o longa canadense se inspirou em filmes como Bethoveen e Lassie ao criar Fido, um "zumbi de estimação". Na verdade, o filme se passa na década de 1950 e mostra uma pequena cidade que sobreviveu ao apocalipse zumbi graças a empresa Zomcom, que, além de proteger a população local, criou um dispositivo eletrônico para integrar os zumbis à sociedade. Tudo sai do controle, no entanto, quando o jovem Timmy constrói uma curiosa amizade com o zumbi Fido, vivido pelo ótimo Billy Conolly. A partir daí a trama aproveita a já utilizada fórmula do zumbi que pode evoluir ao aproximar Fido não só do garoto, mas também de sua mãe, interpretada pela sempre competente Carrie-Annie Moss.



Já no ano seguinte, o terror espanhol Rec se espalhou por todo mundo tal como uma epidemia zumbi. Utilizando o formato documental, popularizado por filmes como A Bruxa de Blair, o longa dirigido pela dupla Jaume Balagueró e Paco Plaza acabou se tornando um dos grandes sucessos do gênero em 2007. Na trama, após um incêndio, uma epidemia zumbi começa em um pequeno prédio e acaba sendo documentada por uma jornalista, que estava acompanhando o dia-a-dia dos bombeiros. Com uma câmera nervosa e uma ótima condução, Rec é sim um dos grandes títulos do gênero. Custou apenas 1 milhão e meio de euros, rendendo mais de 32 milhões de dólares em todo o mundo. Uma pena, no entanto, que as continuações sejam extremamente genéricas, incluindo ai o remake americano Quarentena. Também em 2007, foi a vez do ótimo diretor Robert Rodriguez, parceiro de longa data de Quentin Tarantino, investir no sub-gênero zumbi com o elogiado Planeta Terror. Tentando recriar o cenário trash da década de 1970, a dupla Tarantino e Rodriguez resolveu apostar em dois filmes com esta estética, digamos, mais pobre. Enquanto Tarantino lançou Grindhouse, Robert Rodriguez acreditou nos "bons e velhos" zumbis em Planeta Terror. Reunindo um elenco recheado de caras conhecidas, incluindo Bruce Willis, Josh Brolin, Rose McGowan e Freddy Rodriguez, o longa se inspirou nas fórmulas que o cinema trash consagrou. Com ótimas cenas, incluindo uma Rosie McGowan surtada com uma metralhadora como perna, o filme narra a história de um grupo de assassinos que tentam sobreviver em meio ao apocalipse zumbi. Muito sangue, humor-negro e ação nesse bom trabalho do diretor Robert Rodriguez.


Seguindo esta linha trash, eu não poderia esquecer do recente Dead Snow, filme europeu do ano de 2009 que também fez um grande sucesso ao redor do mundo. Apresentando os zumbis nazistas, o longa dirigido por Tommy Wirkola é extremamente divertido, cheio de boas piadas e de momentos inusitados. Na trama, um grupo de jovens resolve passar um final de semana em uma cabana isolada. Eles não contavam, no entanto, que em meio a diversão um grupo de zumbis nazistas estava pronto para estragar este fim de semana. O filme custou, pasmem vocês, cerca de 50 mil dólares e arrecadou quase 2 milhões de dólares. Wirkola, inclusive, ganhou uma oportunidade em Hollywood e comandou o criticado João e Maria: Caçadores de Bruxas. Detalhe: uma continuação será lançada em 2014. Pra fechar esse Top 10, até as animações já se arriscaram a entrar nesta brincadeira. Trata-se de Paranorman, longa que levou os zumbis à disputa do Oscar de Melhor Animação. Dirigido por Sam Fell e Chris Butler, a animação concebida em stop-motion, narra a história do jovem Norman, um garoto que conseguia falar com os mortos. Através desse "dom", ele descobre que a cidade está amaldiçoada por uma bruxa e que no dia de Halloween os mortos voltarão a vida. Com um humor extremamente aguçado e uma ótima trama, Paranorman foi a grande surpresa de 2012 e mais um dos responsáveis por esse sucesso do subgênero zumbi dentro do cinema atual. No final das contas, independente do sucesso dos filmes, é certo dizer que os "zumbis" prestaram um grande serviço para o cinema mundial. Afinal, nomes como George Romero, Peter Jackson, Danny Boyle, Zack Snyder, Edgar Wright e muito outros conseguiram destaque através destas produções e hoje figuram entre os principais realizadores da indústria cinematográfica.


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